Fotógrafa segue os passos de ‘dominatrix’

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Daniela Alves é uma fotógrafa que tem fascínio pelo incomum. Especialmente quando envolve práticas vistas de esguelha pela norma da sociedade. Comportamentos desviantes. Por isso, foi natural o seu interesse ao ver numa mídia social a foto de uma mulher vestindo látex, saltos altos e máscara de gás. Uma “dominadora” dos jogos de fetiche e sadomasoquismo. Magnetizada por essa personagem, a jovem portuguesa, 26 anos de idade, deu início a um longo projeto fotográfico: HausOfSylvia.

Natural do Porto, Daniela cursou a escola de artes digitais Alquimia da Cor em 2010 e o Instituto Português de Fotografia em 2012. Atualmente frequenta o curso de tecnologia da comunicação audiovisual na Escola Superior de Música de Artes do Espetáculo e realiza trabalhos como freelance em áreas diversas, como moda, produto, documentário e pós-produção. Foi também em 2010 que ela deu início ao projeto.

Por meio de contatos na rede social, a fotógrafa chegou até a personagem da foto, conhecida no meio BDSM como Lady Sylvia, então proprietária de uma “masmorra” (estúdio de dominação) chamada HausOfSylvia.

Daniela foi convidada a conhecer o local, e o fez com a sensação de quem pisava num outro planeta: “Não existia nada mais que as paredes vermelhas e cinza, a decoração cuidada, os objetos e acessórios, as cruzes nas paredes, as correntes, a luz exterior que entrava por pequenas frinchas”, descreveu. “Fotografei ‘Sylvia’ e o seu espaço durante dias”.

Avaliando as fotos depois, ela percebeu que o material ainda não estava “redondo”. Decidiu que precisava ver como era uma sessão de dominação e lançou a ideia à proprietária da casa. Algumas semanas depois, teve a sua oportunidade.

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Daniela Alves: "Pretendo desenvolver mais trabalho nesse tema"

Daniela Alves: “Pretendo desenvolver mais trabalho nesse tema” (foto: Miguel Miguel)

“Nesse dia, enfrentei um misto de sentimentos: curiosidade, algum receio, entre vários outros”, relata Daniela, que testemunhou a desconcertante devoção do cliente submetido à sessão de castigo por sua “algoz” – uma “entrega do corpo e da mente que resulta numa partilha mútua de prazer”, em sua opinião.

Hoje em dia, o estúdio de Sylvia não existe mais. O que não cessou o interesse da fotógrafa pela personagem. “Nesse momento, ela manufatura acessórios fetish. Já tive a oportunidade de fotografar a sua oficina de trabalho, por exemplo”.

Daniela não sabe ainda por quanto tempo irá seguir as pegadas da “dominatrix”: “Neste momento, não visualizo um término no sentido de o ter como encerrado, pretendo desenvolver mais trabalho nesse tema, julgo que estará terminado quando eu sentir que tenho efetivamente concluído”, afirma, evasiva.

O que ela já sabe é que pretende fazer circular as imagens, procurando veículos que queiram divulgar. Exposições? “Já pensei em expor diversas vezes, mas vou aguardar mais um pouco até reunir as condições necessárias”. Sylvia, ao que parece, não perderá a “sombra” tão cedo…

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Jornalista e editor do iPhoto Channel (alcidesmafra@photochannel.com.br)
Um comentário

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  • Luiz Monteiro Pereira
    22 janeiro 2014 at 18:51 - Reply

    Parabéns à Daniela, vai longe essa garota.

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